quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Como evitar as doenças infantis mais comuns

Dicas do site Ehow Brasil

Gripes e resfriados: Os resfriados, comuns no inverno, podem ser evitados se forem tomadas algumas precauções. Se alguém da casa estiver resfriado, recomenda-se usar máscaras descartáveis, que são vendidas em farmácias. Essas máscaras devem ser jogadas fora depois de algumas horas de uso. Não deixe que as pessoas que estejam saudáveis utilizem o mesmo utensílio doméstico (como copos, garfos, colheres, entre outros) que alguém doente, antes deles estarem bem lavados. Todas essas dicas são eficientes para evitar a transmissão dos vírus pela saliva. Para as outras formas de contaminação como a tosse e o espirro, colocar a mão na boca antes de tossir ou espirrar e lavar bem as mãos funcionam bem.

Contágio de doenças: Os pais devem evitar de levar crianças menores de 4 meses de idade a lugares com aglomeração de pessoas. Elas ainda não estão com o sistema imune preparado, portanto uma bactéria ou vírus que não causam muitos problemas para um adulto saudável pode ser muito agressivo para a criança. Quando o seu filho estiver doente, deixe-o descansando em casa. Assim ele poderá se recuperar e também evitará transmitir a doença para os colegas da escola. Você iria querer que a mãe do coleguinha também tomasse esse cuidado, não é mesmo?

Vacinação: As doenças como tuberculose (vacina BCG), hepatite B, difteria, tétano, coqueluche, sarampo, caxumba, rubéola, febre amarela e poliomelite, além de outras como Haemophilus influenzae tipo B, pneumocócica e meningocócica, possuem vacinação no sistema público e são essenciais. Sempre leve o seu filho nas campanhas de vacinas e deixe o cartão dele em dia. Se houver necessidade, o médico pode indicar algumas vacinas contra outras doenças como hepatite A, catapora e a vacina hexavalente, que só existem na rede particular. Avalie junto com o pediatra a necessidade de utilizar esse recurso.

Problemas respiratórios: Em qualquer época do ano, deixe a sua casa sempre bem arejada. Lave com frequência os bichos de pelúcia, e prefira guardá-los durante o inverno. Tapetes, cortinas almofadas, colchão e outros móveis devem estar sempre livres de poeira, pois é nela que os ácaros se escondem. Um aspirador de pó pode ser usado para reduzir a poeira que fica acumulada em colchões e sofás, mas esse não é o melhor método. Se as crianças ou mesmo os adultos tiverem problemas respiratórios (como por exemplo a asma), você pode optar por comprar acaricida e borrifar nos lugares mais propensos a acumular poeira.
Baixa umidade do ar: durante o inverno, a umidade relativa do ar pode ficar próxima ou abaixo do limite tolerado. Nessas situações, as crianças e os idosos são os que mais sofrem com dores de cabeça, nariz ressecado, sangramento nasal, olhos vermelhos e ressecados, além de problemas respiratórios e alergias. Para evitar isso, você pode comprar um aparelho umidificador, mas também é possível recorrer a soluções alternativas como colocar uma toalha úmida na janela ou uma vasilha com água próximo à cama. Além disso, nessa estação do ano, é importante manter a hidratação oral. Por isso, dê bastante água, sucos naturais, frutas e verduras para as crianças.


Amamentação: O aleitamento materno, além de proporcionar um fortalecimento da relação entre a mãe e o seu bebê, possui uma função de proteção importante para ele. Ingredientes presentes em sua composição como vitaminas, anticorpos e outras substâncias conseguem protegê-lo contra várias doenças. O leite materno é isento de contaminação ambiental, diminui os episódios de diarreia, reduz o risco de desidratação e encurta o período de doenças. Amamentar o seu bebê não significa que você não precisa dar as vacinas nos períodos corretos, mas é uma garantia de que seu bebê estará bem alimentado e protegido durante pelo menos os seis primeiros meses de vida.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Blogagem Coletiva - As 5 Melhores Viagens em Família

E essa é a nossa primeira blogagem coletiva, estou tão feliz em poder participar! 

O assunto é bem interessante e não é fácil escolher uma viagem favorita! Cada uma tem seus melhores momentos, seus perrengues e suas lembranças! Só contei as viagens depois que tive o Arthur, porque se fosse contar as viagens em família antes de ser mãe, ficaria doidinha! Fiz tantas viagens lindas e bacanas com meus pais e irmão! Foi muito legal escrever esse post, rever fotos, ver Arthur pequenino, lembrar detalhes de viagens tão gostosas! Depois de muito pensar, nosso top 5 ficou assim:

#1 - Orlando

Quando: maio/2014
Idade do Arthur: 2 anos e 10 meses
Por que é especial: primeira viagem aos Estados Unidos minha e do Arthur, assim como primeira vez na Disney e viagem longa de avião
Cia aérea: Gol (com conexão em Santo Domingo, na República Dominicana)
Hospedagem: todos os dias no SunSol, na região da International Drive

Essa viagem foi a nossa preferida até agora. Eu fui sem muitas expectativas, nunca tive aquele sonho de conhecer a Disney, sabe? Mordi a língua, aquele lugar é demais, fora os outros parques super bacanas que a cidade oferece. Fora que Orlando é tudo de bom, amei a organização de lá, as compras, os restaurantes, um lugar ótimo pra toda a família!

Embarcamos em Guarulhos logo no começo da madrugada. O voo da Gol é simples, o avião que faz o trajeto é o usado em voos nacionais, ou seja, bem pequeno. Não tem entretenimento a bordo, mas como fizemos voo noturno nem nos fez falta. Ficamos na classe Comfort, que tem mais espaço nos assentos, isso foi ótimo pro Arthur dormir. Fizemos uma conexão em Santo Domingo, coisa rápida, uma horinha. Nem deu tempo de conhecer muito o aeroporto, passei rapidinho no Duty e logo tivemos que voltar. Umas duas horas e meia depois chegamos em Orlando!

Passamos na imigração, o agente foi super simpático com a gente. Pegamos nossas malas e aí o sonho começou! O aeroporto de Orlando é imenso!!! Para nos deslocarmos lá dentro, andamos de monorail, um trenzinho que anda entre os terminais. Pegamos nosso carro na locadora e saímos perdidos pela cidade, rs. Com um mapa de papel, ficamos lá dentro do carro parecendo doidos, virando o mapa em tudo que era posição para tentar nos localizarmos. Depois de muito custo, conseguimos nos localizar e fazer o check in no hotel. O hotel era simples, mas atendeu bem as expectativas. Tinha uma piscina (que não usamos nenhuma vez) e café da manhã incluso na diária (que só meu marido usufruiu, eu preferia dormir um pouco mais e tomar café no quarto com as coisas que comprávamos no Walmart). O estacionamento era amplo e sempre tinha vagas, quando anoitecia um segurança ficava circulando pelos corredores do hotel, o que achei muito bom, já que Orlando tem muitos casos de furtos aos quartos de hotéis. O quarto era amplo, tinha um sofá-cama, uma cama grande tipo queen, guarda-roupa com cofre, banheiro (sem banheira) e uma copinha com pia, microondas e frigobar.

No mesmo dia fomos ao Florida Mall e lá compramos chips da T-Mobile, que nos permitiu usar a internet, além de poder ligar para meu marido quando a gente se separava e também poder ligar para telefones fixos do Brasil (falei com minha mãe diariamente!). Também encontramos um casal de amigos com seus filhos, fizemos muitas coisas da viagem juntos, foi muito legal!

Durante a viagem conhecemos vários lugares e restaurantes e fizemos quase todos os parques, ficou faltando o Legoland, não deu tempo. Abaixo vou listar o que mais gostamos de fazer:

Parques: Island of Adveture e Universal Studios (meu filho amou brincar na montanha-russa do Pica Pau, a área do Bob Esponja, do George Curioso e do Gatola da Cartola), Disney's Animal Kingdom (foi o parque que tivemos mais facilidade em tirar fotos com os personagens) e Disney's Magic Kingdom (passamos boa parte do dia na Tomorrowland, na atração do Buzz) e Aquatica (parque aquático muito legal).

Restaurantes: Outback (comida deliciosa e atendimento muito bacana, com uma pequena brinquedoteca, foi nosso preferido), Chili's (comida mexicana, fizemos check in no Foursquare e ganhamos uma porção de nachos com molhos!), Taco Bell (gostoso, barato, era meu queridinho nas passadas pelo Florida Mall), Five Guys (hamburgueria tudibom e barata!). Também fomos ao Chuck E. Cheese's, que serve uma comida bem americana, tipo pizza, refri, batata frita. A comida não é nossa, A comida, é simples, mas para a criançada é bem legal porque é tipo um Playland (com jogos eletrônicos, carrinhos, pinballs), vale uma visita.

Compras: Walmart, Premium Outlets e Florida Mall. Fazer compras com crianças pequenas é muito complicado, meu filho sai correndo, se esconde nas lojas, então nosso foco não foi tanto as compras. A gente se dividia, meu marido ia sozinho pela manhã comprar roupas pra ele e nosso filho e eu fui umas duas vezes comprar umas roupas pra mim, na Ross e no Outlet Premium. O Florida Mall era bom porque tem muitas opções para comer, além de uma Disney Store muito boa. O Walmart era o salvador da pátria, compramos muitas comidinhas e snacks para beliscar e comer nos parques, além de ter de TUDO! Comprei roupinhas pro Arthur e minha afilhada, chupetas e mamadeiras NUK a um terço do que pago no Brasil, papinhas em saquinhos, brinquedos, material escolar... para a mulherada, a parte de perfumaria é de endoidar, shampoos, cremes, maquiagem de todos os tipos, marcas e preços. Fora que comprar lembrancinhas da Disney lá é bem mais barato! Imãs, chaveiros, pelúcias, tudo mais em conta que nos parques.


No Buzz Lightyear's Space Ranger Spin, do Magic Kingdom


Jantar no Chili's da International Drive, super recomendado!


Rumo ao Magic Kingdom!


Meu bottom de primeira visita à Disney


Milkshake de Oreo do Outback, um abraço na alma!


Universal Studios


Momento tiete no Animal Kingdom


#2 - Piauí

Quando: junho e julho/2012
Idade do Arthur: 1 ano
Por que é especial: primeira viagem do Arthur à terra do meu pai, conhecendo toda minha família paterna.
Cia aérea: Gol
Hospedagem: casa de familiares

Essa viagem foi muito especial pra mim, foi muito legal ver Arthur interagindo tão bem com a natureza, conhecendo meus tios e primos, brincando na terra, dando comida para as galinhas e curtindo tudo isso! Dessa vez meu marido não foi, fomos apenas eu, Arthur e meu pai. Pena que é tão longe, por mim voltaria pelo menos umas duas vezes por ano. Ficamos quinze dias e foi muito bacana, não vejo a hora de levar minha caçula pra lá também!

Fomos e voltamos de Gol, por Guarulhos, voo direto na ida e na volta. Em Teresina, meu primo Ivan nos buscou no pequeno aeroporto de Teresina e de lá, fomos pra casa dele. Passamos uns dois dias lá, vi meus primos, matei a saudade, apresentei Arthur à todos. Aproveitamos para passear pela cidade, que passou por algumas melhorias e também fomos até Timon, no estado do Maranhão (divisa com Teresina) para tentar achar Guaraná Jesus (aquele guaraná diferente, rosa, com gosto de canela, conhecem?).

Depois, fomos pra rodoviária de Teresina, rumo ao sertão! A viagem é longa, com troca de ônibus, já conto o trajeto. Pegamos um ônibus rumo a Valença do Piauí, umas três horas de viagem. Lá pegamos uma caminhonete rumo a Pimenteiras, mais uma meia hora de viagem em estrada impecável (acreditem se quiser!). Chegando em Pimenteiras, pegamos outra caminhonete rumo ao Sambito, estrada de terra esburacada, uma verdadeira aventura, 30 Km que são feitos em uma hora de muitos solavancos (pura emoção, rs!).

Chegando ao Sambito você se sente em outra dimensão, sério! É outra realidade... lá a luz chegou na década passada, as estradas são de terra, internet não chegou, telefone é coisa rara, comida é caseira, todo mundo cria galinhas, cabritos e porcos, as casas são grandes, simples e acolhedoras. O banho é frio (deliciosamente frio!), o café da manhã não tem pão, mas tem beiju com queijo coalho ou manteiga de garrafa, o almoço é sempre bom, arroz, feijão de corda, galinha ensopada, macarrão alho e óleo. Eu amo aquele lugar, suas histórias e seu povo, morro de orgulho de fazer parte dessa história de alguma maneira, já que sou filha de um autêntico filho do Sambito. Amo mostrar pro Arthur a origem da nossa família e espero poder levar meus filhos sempre pra minha terra querida =)


Brincando com as galinhas, no Sambito


Em Pimenteiras


Conhecendo o primo Ruan


Tomando banho de tanque com o vovô


No quintal da tia Maria do Carmo, no Sambito


Com o primo Ivan, em Timon, tomando Guaraná Jesus


Tomando banho de bacia em Teresina (faz calor demais no Piauí!)



#3 - Argentina e Uruguai

Quando: junho/2012
Idade do Arthur: 11 meses (fez um aninho em terras portenhas =])
Por que é especial: primeira viagem internacional em família
Cia aérea: Pluna (a Pluna não existe mais; ida por Montevidéu, volta por Buenos Aires)
Hospedagem: em Montevidéu, Hotel Los Angeles; em Buenos Aires, Catalina Suites

Fizemos essa viagem por agência e não foi a melhor escolha, porque os hotéis que as agências nos colocam é, em geral, os "bagulhos" que ninguém quer ficar. No fim deu tudo certo e acabamos tendo histórias pra contar, mas Argentina e Uruguai são lugares fáceis de ir por conta própria, ir por agência é furada!

Embarcamos em Guarulhos num avião da Pluna, levei um susto quando vi aquele teco-teco crescido, rs, um avião fino, duas fileiras com duas poltronas cada. O voo foi tranquilo e logo chegamos em Montevidéu. O aeroporto de Carrasco é lindo, reformado, moderno, adoramos! Para economizar, pegamos um ônibus no aeroporto que ia até a rodoviária, foi uma aventura e tanto! Não lembro quanto gastamos, mas foi bem mais barato que um táxi, já que o aeroporto é bem afastado da cidade. O ônibus, como quase tudo na cidade, era antigo, com aparência de bem velho. O motorista estava ouvindo rock no último volume, era um loiro cabeludo, a gente estava achando graça de tudo, que doideira! Entramos eu, meu marido e Arthur com carrinho e malas (não tinha bagageiro), aquela bagunça. Sorte que assim que entrei com Arthur no colo, um homem cedeu seu lugar para sentarmos!

Chegando na rodoviária, pegamos um táxi, um carro tão velho quanto o ônibus, com uma divisória de acrílico separando os bancos da frente dos traseiros e apenas um buraquinho para colocarmos o dinheiro da corrida. Chegamos ao hotel, bem localizado, no centro da cidade. Outro susto, o hotel era super antigo, com papel de parede, corredores largos e com meia luz, nos sentimos no hotel do Iluminado. Se fôssemos por conta própria, jamais teríamos escolhido esse hotel... tirando a localização, o restante era um terror: fazia um frio de gelar a alma e a janela não fechava direito, a calefação funcionava mais ou menos, a água do banheiro demorava para esquentar, o café da manhã era muito meia boca. Apesar de tudo, levamos tudo no bom humor e rimos muito. Um exemplo? O quarto não tinha frigobar e o leite precisava de geladeira. Fazia tanto frio que colocamos o leite na janela, aí quando chegava a hora de fazer a mamadeira, abríamos a janela pra pegar o leite, púnhamos na mamadeira e enchíamos a pia do banheiro com água quente, era um banho-maria improvisado, rs, aventuras em família. Como disse lá atrás, a localização do hotel era boa, tinha mercados, restaurantes e cafés por perto, o Mar del Plata passava perto também, era bonito de ver, fomos à rambla todos os dias observar o rio e passear de carrinho com Arthur. Na cidade conhecemos bastante coisa, fizemos o city tour, fomos ao shopping, à Praça da Independência

No pacote estava incluso um dia de passeio pelo litoral. Saímos cedo do hotel e paramos em Piriápolis. Estava um frio de gelar a alma e não deu para curtir nada de praia, então tomamos chocolate quente! Ficamos um pouco curtindo a vista e os muito gatinhos (de todas as cores e idades) que ficavam rodeando os turistas e partimos para Punta Ballena, onde visitamos a Casapueblo, linda e diferente construção que abriga um hotel, um museu e o ateliê do finado Carlos Páez Vilaró (que voltou na poltrona ao lado da nossa no avião!). Eu adorei o lugar, adoramos arte e lá é um lugar muito único, a vista para o mar é maravilhosa, as esculturas, os quadros, vale muito a visita!

De lá partimos para Punta Del Este, fizemos um pequeno city tour e ficamos passeando pela cidade a pé. Tomamos sorvete na Freddo, fomos ao mercado comprar toucas e luvas (o frio estava triste, gente, só faltou a neve) e visitamos várias lojinhas. Almoçamos num restaurante super chique, pudemos escolher com a maior calma, já que estava muito frio e a cidade estava bem vazia. Eu adorei, mas ficou aquela vontade de conhecer essa região no calor, deve ser demais!

Voltamos para Montevidéu e no dia seguinte, demos check out no hotel e pegamos um táxi até a rodoviária. De lá, pegamos um ônibus rumo a Colonia Del Sacramento. Chegando em Colonia, deixamos nossas malas num locker da rodoviária e passamos o dia por essa cidadezinha encantadora! Tinha muitas árvores com folhas secando e caindo no chão, bem cara de outono, passeamos pelo comércio, almoçamos uma boa carne, fomos ao pequeno aquário da cidade. Já tínhamos comprado nossos bilhetes para o Buquebus (uma espécie de balsa que faz o transporte de pessoas e veículos entre Buenos Aires e Colonia) pela internet, no fim da tarde pegamos nossas malas e fomos para o Porto, tudo a pé porque a cidade é pequenina! Embarcamos, o terminal muito limpo e novo, reformado, passamos rapidamente pela imigração, carimbaram nossos passaportes e entramos na embarcação. Parecia um mini navio de cruzeiro, todo de carpete, mas com poltronas como um avião. Também tinham uns sofazinhos com mesas de centro (viajamos num sofá desses, bem confortável) e também tinha um Free Shop lá dentro, com perfumes, maquiagens, chocolates e brinquedos (compramos uns chocolates bem legais lá). A viagem é curta, cruzamos o Rio de la Plata em uma hora, com muito conforto, adorei a experiência!

Chegando em Buenos Aires, no Puerto Madero, passamos na imigração, pegamos nossas malas e saímos do porto. Uma fila de taxistas sedentos esperavam os turistas com preços impraticáveis, estava chovendo então eles se aproveitavam mesmo. Saímos da bagunça e fomos para a avenida, conseguimos pegar um táxi com corrida de taxímetro, justo. Fomos para nosso hotel, o Catalinas Suítes, o hotel era antigo, mas reformado, o elevador era daqueles com porta de correr, o quarto tinha um banheiro reformado, uma varanda (que vivia fechada por causa do Arthur), uma cama bem grande, TV e frigobar. Em Buenos Aires achamos fórmula pro Arthur em caixas prontas pra beber, em doses individuais, então não passamos aquele perrengue do esquenta-refrigera que passamos em Montevidéu. Ele estava na fase de transição, fazendo um aninho e se deu tão bem com esse leite que trouxemos muitas e muitas caixas na mala pro Brasil!

Em Buenos Aires fizemos muitos passeios bacanas, amamos aquela cidade! Fizemos o city tour com aquele ônibus da prefeitura, que tem pontos espalhados por toda a cidade, você pode subir e descer nele quantas vezes precisar durante o período que comprou (tem de 24, 48 horas, acho que tem de 72h também). Fomos ao zoológico, adoramos! Dava para comprar saquinhos de ração e alimentar os bichinhos, fomos ao Puerto Madero algumas vezes, comemos no Madero Buffet (muito bom) e no Friday's (uma das piores experiências em restaurante que já tivemos, não recomendamos). Na Calle Florida, trocamos um dinheiro que faltava, tomamos sorvete na Abuela Goye (alfajores também perfeitos!), fomos ao Caminito (no fim da tarde, confesso que fiquei com um pouco de medo dos mal encarados que tinham lá...), deu pra curtir bastante! Também fomos à Calle Corrientes, onde tem muitas lojas para crianças, compramos algumas roupas pro Arthur a um preço bom!

Dia 21 chegou o dia de partimos, Arthur fez um aninho em Buenos Aires, deu tempo de comemorar um pouco por lá, chegamos a noitinha em GRU e ainda comemoramos em casa com os familiares. Essa viagem foi muito querida por nós =)

* Por incrível que pareça, as fotos dessa viagem sumiram! Graças a Deus eu já tinha revelado todas!


#4 - Alagoas e Pernambuco

Quando: abril/2013
Idade do Arthur: 1 ano e 9 meses
Por que é especial: viagem de lua de mel num lugar lindo
Cia aérea: Tam
HospedagemSalinas do Maragogi

No fim de 2012 meu marido ganhou uma premiação na empresa, um vale desconto na CVC. Como já estávamos pensando em nos casar no civil há algum tempo, aproveitamos a oportunidade para escolher um destino bem bacana para nossa lua de mel, mesmo sabendo que levaríamos o pimpolho com a gente (não temos coragem e nem vontade de deixar Arthur para viajar). Fomos a uma CVC e conversamos muito, vimos as opções de destinos e nos encantamos com o Salinas. Escolhemos certinho, o lugar é o paraíso!

Embarcamos em Guarulhos num voo direto para Recife. Chegando lá, uma van já nos aguardava para fazer o transfer. A maioria das pessoas desceram no Grand Oca Maragogi e alguns desceram com a gente no Salinas. Chegamos a noite, mas estava um calorão! Fomos para nosso quarto, que já estava arrumado para receber o Arthur: tinha berço, carrinho de bebê, banheira infantil. Achei ótimo o Salinas para famílias com crianças, em cada bloco de apartamentos tinha uma copinha auxiliar, com pia, microondas, leite em pó, tudo para facilitar a vida de quem ia com pequenos! O resort tem uma estrutura muito legal, recreação para maiores de 3 anos, babás (pagas) para os menorzinhos (não tive coragem de deixar, rsrsr), brinquedoteca, um espaço coberto que tinha piscina de bolinha, cama elástica e a noite os monitores faziam uma sessão pipoca em que todos podiam participar, com desenhos variados. A área da piscina era maravilhosa, tinha um bar anexo com sorvete e bebidas a vontade, além de logo ter a praia à disposição! O resort fornecia guarda-sol e aproveitei para levar Arthur para brincar na areia um pouco durante a hospedagem, porque a piscina era tão boa e tão grande que ficávamos tentados a estar nela o dia todo! Tinha recreação na piscina também, mas mais para crianças maiores e adultos.

Nessa praia saíam passeios para as piscinas naturais, achei muito prático e fizemos os dois passeios que tinham à venda. Arthur aproveitou para dar comida para os peixinhos e eu também, adoro coisas com bichos, rs. Falando em praia, dentro do resort eram vendidos passeios para regiões próximas. Ganhamos o city tour (que meu marido acabou fazendo sozinho, no último dia Arthur ficou com herpangina, coitado, deu febre e tudo!) e fizemos um passeio de um dia para a praia dos Carneiros, em Tamandaré/PE e um em São Miguel dos Milagres/AL.

O passeio em praia dos Carneiros foi bem gostoso, a praia é linda, o local é bem turístico, cheio de pessoas, restaurantes, quiosques, passeios de escuna e por aí vai. Ficamos num restaurante que tinha ducha, brinquedos, redes para dormir, a estrutura era ótima. Pagamos caro por isso, a comida foi um absurdo de cara! Mas como no resort era tudo incluso, até as bebidas, topamos esse gasto numa boa, nem opção a gente tinha também, né? A água da praia era cristalina, fizemos um passeio de barco, vi a capela da praia (fiquei doida pra casar lá um dia, quem sabe?), compramos cocadas, nadamos, espero poder voltar lá logo e com mais calma.

Fizemos também um passeio de um dia em São Miguel dos Milagres, que lugar lindo! Um dos mais lindos que já fomos na vida! A água da praia era de uma cor sem igual, um azul, parecia Caribe (que nunca fomos), tinha barquinhos flutuando no mar, coloridos, parecia uma pintura. Lá é beeeem mais calmo, poucas pessoas, ficamos no restaurante de uma pousadinha, que serve de apoio para turistas como nós, que só passamos o dia. Tinha redes para descanso, piscina, um restaurante com comidinha boa, dava para ir pra praia, nadar um pouco, voltar pro restaurante, tomar uma ducha, cochilar. Me deu vontade de ficar por ali dias e dias, dormindo, comendo e nadando, Arthur e meu marido também amaram e prometemos voltar um dia!

Sobre a comida do resort: não bebemos nada alcoólico nessa viagem (acho que meu marido tomou cerveja), então não posso opinar nessa parte. Tinha refrigerantes, água de coco, água, sucos a vontade, a comida era bem gostosa, mas não gostamos das sobremesas, no geral simples, muita gelatina. Tinha muitas opções de pratos, alguns dias tinha muitos frutos do mar (que amamos) e também tinha uma mesa baixinha com opções para os pequenos, geralmente carregadas de batata frita, infelizmente. Como Arthur era bebê, deu pra gente segurar legal. Adoramos a hospedagem, foi uma semana maravilhosa, com conforto, praticidade, pretendemos voltar!


Parada em Japaratinga, a caminho de São Miguel


Vista do rio que cruza o resort


São Miguel dos Milagres


Meninos tirando uma soneca na rede


Arthur brincando em São Miguel dos Milagres


#5 - Santiago/Chile

Quando: julho/2012
Idade do Arthur: 1 ano
Por que é especial: eu e Arthur conhecemos a neve!
Cia aérea: Lan
Hospedagem: Plaza El Bosque Ebro

Essa foi uma viagem meio de última hora, minha mãe achou uma promoção de passagens para o Chile num feriado e fomos todos, só faltou meu pai. Apesar de um pequeno stress no check in (nos colocaram na última fileira do avião, nas poltronas que não reclinam...), o voo foi tranquilo. Fiquei encantada com a cordilheira dos Andes, é muito lindo vê-la lá do alto!

Chegamos em Santiago e passamos rapidamente pela imigração. Pegamos um táxi rumo ao hotel, que foi uma agradável surpresa, amamos! O quarto era bem espaçoso, tinha uma pequena salinha, o banheiro tinha banheira, o café da manhã era uma delícia, no último andar. A vista para a cordilheira era linda e o café tinha muitas opções de frutas (algumas que não estamos acostumados, como grapefruit), pães, cereais, gostamos muito!

Logo no primeiro dia fechamos um transfer para o Valle Nevado, pois estávamos com um bebê e preferimos ter um transporte que pudesse voltar a qualquer momento caso precisássemos. Valeu a pena, mas gastamos um bom dinheiro (não lembro o valor), só não pesou tanto porque dividimos por dois e o conforto valeu a pena demais! Fomos um dos últimos a sair do Valle! O dia do Valle Nevado foi muito bacana, eu nunca tinha visto neve (não morri de amores, não gosto de frio, rs, mas valeu a experiência). Meu marido e irmão aproveitaram o dia para esquiar, enquanto isso eu e minha mãe ficamos com Arthur vendo as pessoas esquiarem, tomando lanche, café e comendo aquele maravilhoso waffle de nutella, hummm! Depois de muitos tombos e hematomas nos meninos, voltamos para o hotel, a descida deu uma baita náusea na minha mãe, coitada! Quase vomita dentro da van!

Como ficamos poucos dias, fizemos tudo meio a jato. Conhecemos o Cerro San Cristobal, o Zoo de Santiago (um dos mais legais que já fomos), o shopping Parque Arauco (com um espaço família excelente) e o shopping Costanera (praça de alimentação gigante!). Não deu tempo de fazer o city tour, mas os poucos dias que passamos em Santiago foram suficientes para me encantar, quero muito voltar! A comida é bem gostosa e lá eles usam muito avocado nos pratos, até no Mc Donalds tem um lanche que vai a fruta, achamos muito diferente!

Chegamos!


No Cerro San Cristobal


No Zoo de Santiago


No Valle Nevado, gatinho com a vovó


Zoo de Santiago


Valle Nevado


Espero que tenham gostado do post, ansiosa pela próxima blogagem coletiva! A seguir, links dos outros blogs das famílias viajantes, cheios de dicas e relatos legais!

1 - Felipe, o pequeno viajante - Claudia Rodrigues

2- Bebê PiccoloKelly Resende

3- Viagens que Sonhamos - Francine Agnoletto

4- Mosaicos do Sul - Claudia Bins 

5 - Viajando com Pimpolhos - Sut-Mie Guibert 

6 - Vida de Turista - Thiago Busarello  

7 - Gosto e Pronto - Debora Segnini 

8 - Viajando com Palavras - Thyl Guerra 

9 - Viajando em Família - Débora Galizia 

10 - Trilhas e Cantos - Liliane Inglez  

11 - Pezinho na Estrada - Anna Karla Moura Ramos 

12- Mamãe Tagarela - As Melhores Viagens de Pititico 

13  - Brasileiros Mundo Afora - Família Bömmels  


15 - Ir, ver e viver o mundo - Cláudia Cruz 

16 - Eu viajo com Meus Filhos - Patricia Papp 

17 - It Babies - Valeria Beirouth 

18 - Viagem Simplesmente - Susana Spotti 

19 - Registros de uma Mãe Carioca - Claudia Cosentino 

20 - Mala Inquieta - Renata Luppi 

21 - Baianos no Polo Norte - Livi Souza 

22- Andreza Dica & Indica Disney - Andreza Trivillin  

23- Ases a Bordo - Ana Luiza Ogg Strauss; André Strauss  

24 - Lala on the road - Manuela Andrade 

25 - Para a Disney e Além! - Carlos e Isabel Monteiro 

26 - Rascunhos de Fotografia - Jamille Andrade 

27 - Batendo perna pelo mundo - Amanda Lago

28 - Colagem - Luciana Misura

29 - Do RS para o Mundo - Andrea Almeida Barros

30- Viajar hei - Patricia Longo Tayão.

31 - Familia Viagem - Simone Hara & Mônica Souza

32 - Cantinho de Ná - Cynara Vianna

33 - Bora com a Gente - Andréa Lopes

34 - Os Caminhantes - Marcia Tanikawa

35- A Próxima Parada -  Aressa Baffi

36 - Viajando de Carro - Rosângela LVS

37 - Espelho de si - Trícia Ferreira 

38 - Roteiro Renatours - Renata Ungier

39 - E aí, Férias! - Camila Faria 

40 - Guaciara Rhein - Guaciara Rhein 

41 - Vou Viajar - Lu Aquino 

42 - Viagem com Gêmeos - Erica Piros Kovacs 

43 - Desempilhados - Tati Rosa Domingues 

44 - Malas e Panelas - Andrea Martins 

45 - Inventando com a Mamãe - Chris Ferreira

46 - O Mundo Disney - Daniele Dias

47 - Malas & malinhas - Bárbara Calmeto 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Relato de parto da Rafa - Parte II

A gravidez, o aprendizado e a busca pela equipe humanizada

Eu sempre quis ser mãe de uns dois ou três filhos. Quando Arthur nasceu eu tinha certeza que teria outro bebê e que não demoraria muito. Brincava com meu marido dizendo que tínhamos que ter os filhos logo para, quando tivermos uns 45 anos, estarmos com os filhos criados. Falava pra ele que quando Arthur saísse das fraldas e dormisse uma madrugada toda, que era a hora de encomendar o segundo. Arthur sempre foi um bebê lindo e mamão, mamava o tempo todo e isso resultava em noites em claro. Ele mamou até os seis meses e depois entrou com a mamadeira, que também tomava de madrugada. Eu falava pro meu marido que não queria demorar muito para ter o segundo, mas a coragem escorria pelos dedos, Arthur crescia e nada de dormir uma madrugada inteira, eu ia trabalhar parecendo uma múmia todos os dias. Quando ele fez 2 anos e 5 meses decidi dar um basta e tirar a mamadeira da madrugada. Foi difícil, um mês de muito choro, muita conversa. Comecei diminuindo a quantidade de leite na mamadeira, depois diminuí a quantidade de mamadeiras (ele tomava três por madrugada!) e depois de muito choro e tapinhas no bumbum acompanhados do famoso "xu xu xu, dorme, filho, xu xu xu" (conseguiram visualizar, rs?) ele finalmente começou a dormir a noite toda! Ah, mamadeira de água nunca funcionou com ele, o que dificultava mais ainda o processo.

O ano virou e as professoras da escolinha me falaram que estavam pensando em começar o desfralde do Arthur, perguntaram se eu seguiria o trabalho delas em casa e claro que topei! Achei que seria impossível, sempre achei Arthur tão bebezão! Para nossa surpresa, em apenas uma semana nosso menino tinha saído das fraldas durante o dia! E já fazia xixi em pé como um menino grande! De madrugada achei que ia demorar, mas me enganei de novo, em alguns dias ele saiu da fralda noturna também! Isso era mais ou menos março de 2014 e a coragem de encomendar o segundo não chegou, mas memória de mãe é ruim e logo esqueci das muitas noites em claro e das muitas fraldas trocadas, rs. Com isso, veio a vontade de ter o segundo neném e decidimos que em maio começaríamos oficialmente as tentativas.

Maio chegou, estávamos viajando e na época do tal período fértil estávamos no meio da viagem, andando o dia todo, fazendo compras, indo em parques, Arthur deixando a gente maluquinho das ideias correndo pra todo lado, meio que desistimos naquele mês. Voltamos pro Brasil e seguimos nossa vida normalmente e deixamos para junho o projeto bebê 2. Junho chegou e nem sinal de menstruar... um, dois, três dias. Decidi fazer um teste justamente por ser muito regulada, estava no trabalho e fui ao banheiro na hora do almoço. Em segundos as duas listras do teste estavam coloridas! Sorri de imediato, fiquei pensando em como contar a novidade pro meu marido. Bolei mil ideias, mas não aguentei, tirei uma foto do teste e mandei pra ele, que ficou meio em dúvida do que significava. Quando contei que teríamos outro neném ele ficou muito feliz! Em casa repeti o teste só por garantia, duas listras apareceram rapidamente. Contei para uma ou outra amiga e fiquei pensando em como contar para nossas famílias. Aproveitei a festa de aniversário do Arthur para contar, compramos cupcakes e cartões e escrevemos "Parabéns, você foi promovida a vovó em dobro!" e entregamos. Ficou todo mundo surpreso, meu pai então demorou a acreditar, achou que era brincadeira, rsrs. Foi um momento muito legal, os convidados também já ficaram sabendo, foi muito bacana!

Logo comecei a fazer o pré natal com o Dr. A. mesmo, por ser do convênio e também porque era o único que eu conhecia de imediato. Na mesma semana já fiz um ultrasom, estava com aproximadamente 6 semanas de gravidez. Arthur foi comigo e fiquei muito emocionada em já ouvir o coração do meu bebê querido... meu grão de arroz! Também fiz um monte de exames de sangue, tudo ok também. Voltei ao Dr. A. mensalmente depois disso, mas sabendo que não teria meu bebê com ele. Em todas as consultas que passamos ele me perguntava quando queria marcar minha cesárea, afinal eu já tinha cesárea prévia. E toda vez eu dizia, quero um parto normal. E toda consulta ele esquecia dessa informação. Eu já sabia que não teria neném com ele, depois que soube que ele descredenciou do hospital que eu queria ter o bebê então...

Enquanto isso, fui conversando muito com todas as minhas amigas que já tinham tido um parto normal. Minha mãe, a Lilian, Vanessa, várias. Conversei muito com a Denise e a Thais sobre o parto humanizado, as duas já tinham dois partos normais e inclusive partos domiciliares. Achava as duas um pouco loucas e um tanto corajosas por terem parido em casa, mas foi muito bom mesmo conversar com elas, saber onde se orientaram, como foi todo o processo pra elas, quanto gastaram, sou muito agradecida a todas as mulheres que me ajudaram nesse processo! Certo dia conversei com a Gina, uma mulher muito bacana que conheci quando Arthur era bebê. Ela teve parto domiciliar e não sei explicar, sabe aquela pessoa com uma áurea diferente? Nem somos muito próximas, mas senti que poderia conversar com ela e acertei! Ela me deu muitas dicas, muito apoio e me indicou frequentar o GAMA, um grupo de apoio à maternidade, com parteiras, doulas e encontros semanais para gestantes trocarem ideias e aprenderem sobre o mundo humanizado. Depois descobri que a Denise teve seu parto domiciliar com apoio de uma obstetriz do GAMA e tudo foi se entrelaçando.

Dias depois, estava eu na minha primeira reunião do GAMA. Fui e me apaixonei de cara! Tanta informação, um ambiente gostoso , tantas mulheres com os mesmos interesses, medos, planos, me senti em casa! A maioria era mãe de primeira viagem, algumas eram como eu, vindas de uma cesárea sem necessidade e que estavam em busca de um parto com mais respeito. Saí dessa primeira reunião já um tanto empoderada, me sentindo capaz, que eu conseguiria ter meu bebê do jeito que eu quisesse, que eu podia! E viciei, passei a frequentar quase toda semana o grupo. Caí de amores de vez numa quinta em que a Ana Cristina Duarte estava por lá. Não sei explicar, ela é um misto de engraçada, inteligente, informada, forte, tudo junto. Passou uma energia maravilhosa para todas as mulheres presentes, fiquei mais determinada ainda a lutar pelo meu parto humanizado, me informei muito, vi que teria que gastar um dinheiro porque pelo convênio não ia mesmo rolar, descobri que são poucas as causas de uma cesárea necessária. Li muitos relatos de parto, assisti vídeos, conversei com mulheres que se empoderaram e venceram o sistema de saúde mesquinho em que vivemos, enfim, fui me tornando cada vez mais forte e determinada no decorrer da minha gravidez. Toda quinta eu completava uma semana de gravidez e aprendia mais e mais lá no GAMA.

No GAMA eu conheci a Nicolle. Ela já tinha duas meninas por cesárea e estava esperando um menininho. Dessa vez ela queria um parto natural e estava se informando muito para poder fazer acontecer, estava determinada. Numa das reuniões eu contei pra ela que moro na Zona Leste e ela me indicou ir à Commadre, no Tatuapé, um outro grupo de apoio. Dias depois a própria Ana Cristina me indicou ir pra lá também para conhecer a equipe e também a Dra. Camila, obstetra humanizada e que ainda atendia no hospital que eu queria! Ah, e sobre hospital: frequentando o GAMA, estudando, lendo, me informando eu vi que o parto no geral é muito seguro e que em muitos países a mulher não ganha seus bebês com médicos, e sim com enfermeiras ou obstetrizes. Muitos países também apoiam o parto domiciliar e mandam inclusive equipes para auxiliar as mulheres a parirem dentro de casa com segurança e assistência. E o bichinho do parto domiciliar começou a me coçar aí. Tentei conversar algumas vezes com meu marido a respeito e ele achou que eu tinha endoidado de vez. Preferi não pressionar porque pra ele aceitar e me apoiar no parto normal já foi um sacrifício, já que ele é do time dos que acham que a cesárea é o melhor pra mulher e para o bebê. Existe um risco muito pequeno no parto domiciliar e preferi não arriscar, porque caso eu fosse premiada eu teria um conflito eterno com ele e não queria isso. Minha avó materna teve três partos domiciliares em São Paulo, minha avó paterna teve todos, no Piauí. Minhas tias paternas tiveram muitos partos domiciliares também. Uma das minhas tias, a Tota, me contou que teve doze filhos em casa e um no hospital e que esse único filho que nasceu no hospital morreu... e também me contou como era, que uma mulher ajudava a outra, que depois a placenta era plantada no quintal, meus olhos brilhavam com ela contando, rs, achei tão bacana! Já tinha admiração por ela, pela história de vida e luta que ela teve, depois de saber de seus partos fiquei mais orgulhosa!

Mas voltando, rs, no fim estava decidido: teria um parto humanizado hospitalar. Peguei um dia em que teria encontro na Commadre e fui. Dei sorte, nesse dia a própria Dra. Camila estava presente, nos conhecemos e combinei de marcar uma consulta com ela. Estava em cima da hora, já era novembro. Marquei uma consulta para dezembro com ela. No dia da consulta levei todos meus exames e ficamos por volta de uma hora conversando, totalmente diferente dos médicos do convênio. Muito serena, segura, com a fala calma, me perguntou muitas coisas, me explicou outras tantas e combinamos de nos ver de novo em janeiro. Ela me pediu para marcar uma consulta com a enfermeira obstetra no começo de janeiro para nos conhecermos, já que ela estaria no parto também.

O ano virou e minha consulta com a enfermeira chegou. Já simpatizei com a Karina logo de cara, muito doce e segura, conversamos muito também, consulta longa, boa para nos conhecermos. Minha mãe foi comigo dessa vez e também adorou a Karina! Ela me explicou que quando meu trabalho de parto começasse, ela iria em casa me visitar e ver minha dilatação, me acompanhar e quando chegasse minha hora de ir para o hospital, ela iria e chamaria a Dra. Camila. Pedi indicação para ela de uma doula, que comecei a pesquisar no começo da gravidez e fui deixando, deixando... ainda bem que ela me indicou a Pâmella, sem ela meu parto não teria sido como foi! Combinamos de nos ver em duas semanas novamente. Já estava bem cansada, a barriga pesava bastante, ainda estava trabalhando. Apesar de ter engordado bem menos nessa gravidez, estava com muita dor nas costas. Pra piorar, eu parei o pilates, fiz o máximo que pude para preparar o assoalho pélvico e também para fazer alguma atividade física durante a gravidez (amo pilates!). Ainda bem que minha amiga Lia fez a gentileza de me dar de presente uma bola de pilates (que me salvou no meu parto!), que já enchi e usei o mês de janeiro inteiro, tomava banho sentada na bola, era muito relaxante. Nas horas vagas, a bola virou pula-pula, Arthur subia nela e pulava pela casa, rs (obrigada, tia Lia, somos eternamente gratos!).

Na outra semana, vi a Dra. Camila de novo, levei alguns exames, meu strepto tinha dado negativo. Estava na reta final, 38 semanas, já estávamos combinando os preparativos pro parto, tirando as últimas dúvidas. Ela me avisou que quando eu completasse as 40 semanas eu teria que ir ao hospital de vez em quando para ver como a bebê estava e que esperaríamos até as 42 semanas, caso fosse necessário. Estava tranquila, queria que ela nascesse logo, mas aceitaria numa boa se ela quisesse nascer só com 42 semanas. Tendo assistência, sabendo que ela estava bem dentro da minha barriga eu esperaria sem problemas. Também estava aliviada porque o pediatra da equipe, o Dr. Jairo, tinha voltado de férias e caso a neném nascesse, teria um pediatra humanizado para assistir meu parto, que não faria mil intervenções nela. Nesse dia combinei com a Pâmella (que virou minha doula) de nos encontrarmos depois da consulta. Ficamos um tempão conversando, apesar de sua cara de menina ela me passou bastante segurança, falava muito serenamente, com muita calma. Fiquei muito feliz que, apesar de ter sido no último minuto, eu consegui encontrar uma doula tão bacana para me ajudar no parto da Rafa!





Ah, esqueci de falar, consegui alugar um epi-no (graças a ajuda dazamiga do Facebook) e usei algumas poucas semanas antes do parto. É estranho de usar, mas bacana para "prever" a sensação do parto, para treinar o assoalho pélvico e períneo. Tentei fazer as tais massagens perineais, mas não consegui direito. Depois faço um post sobre o epi-no, eu gostei da experiência, achei bem válido!

E essa foi minha última semana grávida...

Continua na parte III

* Update: como pude esquecer! No começo da gravidez eu estava decidida, não queria saber o sexo do bebê. Estava determinada a não saber, mesmo com a pressão da família e amigos e mesmo com a curiosidade aumentando a cada dia que passava. Quando cheguei na metade da gravidez mais ou menos, decidi descobrir o sexo do bebê e aproveitar a descoberta tardia para fazer um chá de bebê revelação! Foi muito legal, ficou tudo do jeito que eu queria! Segurei a curiosidade até quase 30 semanas, quando fiz um ultrasom 3D. Não sei se é pra dar mais emoção, mas no dia do exame eu me enchi de chocolate, alfajor, tudo para a Rafaela se mexer bastante e para minha surpresa o que aconteceu? Ela estava dormindo pesado! O médico cutucava minha barriga, mexia, me mandou andar um pouco, mas de nada adiantou, ela dormia profundamente, com a mãozinha cobrindo o rosto! Resultado: exame remarcado para outro dia! E aí voltei com minha mãe e finalmente o exame deu certo, mesmo com a Rafa dormindo de novo, boneca adormecida, rs. Dias depois o chá aconteceu e ficou tudo lindo, decoramos a mesa metade azul, metade rosa, com cupcakes, copinhos de chocolate, pães de mel, brigadeiros, eu amei o resultado! E o melhor, minha amiga Carolina, da by Carol Cakes, nos presenteou com um MARAVILHOSO bolo todo decorado, um capricho só! Fez o maior sucesso, além de ser delicioso! Um dos andares tinha recheio de trufa de conhaque e o andar da revelação era recheado com muito, muito bicho de pé! Foi muito legal cortar o bolo com meu marido e mostrar pra todo mundo o recheio rosa! Uma lembrança linda pro resto da vida =)



domingo, 15 de fevereiro de 2015

Relato de parto da Rafa - Parte I

O parto da Rafa começou como muitos partos, lá atrás, no parto do seu irmão, meu filho Arthur. Escrevi mais ou menos o relato de parto dele, hoje enxergo tudo com outra ótica e resolvi rever esse relato.

Em 2010 fiquei grávida no susto, estava com 25 anos, numa fase mega enrolada da minha vida. Apesar da surpresa e de estar despreparada, não tive dúvidas em ter meu neném. Infelizmente, pelas muitas coisas que estavam acontecendo à minha volta, digamos que não me preparei muito bem para o parto. Lamento por ainda termos que nos preparar para o parto, na verdade... eu comecei a gravidez querendo um parto normal, achando que seria fácil e simples, mas me enganei feio! Vivemos num sistema que apoia totalmente a cesárea, médicos muitas vezes nem sabem atender um parto normal e também nem tem interesse, afinal quem quer perder horas esperando uma mulher ganhar nenê, não é? Marca, anestesia, opera, acabou.

Comecei o pré-natal pelo Hospital do Servidor Público Estadual, a gravidez estava evoluindo bem, era de baixo risco. Durante a gravidez, me casei com meu marido e pude entrar no convênio dele, então passei a fazer o pré-natal no Servidor e procurei obstetras pelo convênio (o que não foi fácil, diga-se de passagem). Até chegar no Dr. A. (não vou expor o nome, pra evitar a fadiga), passei por três médicos que detestei. Uma delas era uma médica super mocinha que logo me avisou: só faço cesárea marcada. Outra me disse que se eu entrasse em trabalho de parto a noite, ela não me atenderia, só atendia em horário comercial (hahahaha!).

Na época da gravidez do Arthur, um dos meus grandes medos era ter neném com o plantonista e sofrer muita violência. Apesar de não manjar muito do assunto de parto, sabia que não queria o soro de ocitocina (para acelerar as contrações). Uma amiga conversava comigo sobre o parto humanizado e eu a achava uma verdadeira maluca, onde já se viu? Ter filho sem anestesia? Morrer de dor? Sai fora! Hoje morro de vergonha de quanto eu era quadrada... essa amiga é a Luciana. Estudamos juntas no colégio e foi ela que me apresentou o mundo do parto humanizado, ficamos grávidas na mesma época e não dei a atenção que o assunto merecia, se arrependimento matasse...

Bom, mas voltando... depois de achar o Dr. A., resolvi finalizar o pré-natal só com ele, já que o Servidor também vivia lotado e era difícil marcar consultas. Deu tempo de fazer o curso de gestantes do Servidor, que gostei bastante (mas não falava NADA sobre parto humanizado). Dr. A. era bacana, a consulta dele era rápida, mas não esperava nada diferente. Ele dizia que ia respeitar minhas decisões e se eu queria um parto normal eu teria. Falei para ele do meu pavor de ter neném com plantonista e ele disse que era só ligar que ele iria pro hospital me atender e fazer meu parto. Durante as consultas ele me perguntava, num tom de amizade, se eu estava mesmo disposta a encarar a dor do parto normal. Comentava que meu filho era grandão e que eu estava muito inchada. Levava isso tudo como preocupação e até gostava dele por isso.

Como eu queria passar o máximo de tempo possível com o Arthur de licença, trabalhei e estudei até o dia do parto. Não descansei nada, fiquei realmente inchada, engordei 24 quilos. Numa terça, quando estava com 37+5 se não me engano, fui a uma consulta com meu marido. Dr. A. fez toque, nada de dilatação. Disse que eu estava muito inchada, me deu guias para fazer exames e me sugeriu entrar com a licença maternidade. Recusei. Me deu atestado do dia, mas com receio de levar falta fui trabalhar mesmo assim (detalhe, uma besteira porque depois que Arthur nasceu eu faltei tantas vezes que nem valeu a pena esse esforço todo, masss, não tinha bola de cristal, né, rs).

Fui trabalhar e uma dor muito chata nas costas me incomodou boa parte do dia. Era uma dorzinha ardida, que ia e vinha. Mal sabia eu que eram contrações. Trabalhei até sete da noite, fechei a escola e fui pra casa. Chegando lá pedi para minha mãe me buscar e levar na faculdade porque eu não aguentava mais dirigir, estava cansada. Fui com minha mãe e meu irmão pra Federal e chegando na porta a tal dor nas costas estava mais forte, preferi não entrar. Como ia dormir na minha mãe para fazer exames, combinamos de esperar meu irmão no shopping, aproveitamos para jantar APENAS uma feijoada com torresmo e de sobremesa, café e uma fatia de torta. Quando sentei para comer a torta, senti minha cadeira molhada... falei "ih, mãe, fiz xixi na calça!" e fui ao banheiro. Chegando lá fiz mais "xixi na calça", só que com um pouco de sangue. Era a bolsa estourando! Pensei em como dar a notícia para minha mãe sem desesperá-la e disse "vovó, seu netinho vai nascer!" e ela ficou toda feliz e toda ansiosa! Como queria parto normal, falei para andarmos no shopping enquanto esperávamos meu irmão sair da aula. Andei bastante, parava para apertar a mão da minha mãe nas contrações, resmungava, gemia, mas estava suportável.

Quando meu irmão ligou avisando que saiu, fomos embora e ele ficou muito surpreso de ver que tinha chegado a hora. Preferi não ligar para meu marido, que estava na pós. Não queria desesperá-lo caso fosse um alarme falso (apesar de eu não achar que era alarme falso coisa nenhuma). Durante o caminho liguei para o Dr. A. e contei o que estava acontecendo. Ele me disse para ir imediatamente para o hospital e passar pela triagem, disse que me encontrava lá pois estava indo para o São Luiz fazer uma cesárea marcada. Fiquei tranquila em saber que ele estava indo pra lá, animada por saber que meu bebê querido ia chegar. Fiquei tão tranquila que sugeri para minha mãe passar na casa dela e pegar as lembrancinhas de maternidade antes de ir pro hospital e ela me chamou de louca e quase me bateu, rs.

Chegamos ao hospital que nem na novela: minha mãe embicou o carro na porta do hospital, eu desci de mão dada com meu irmão. Minha mãe foi estacionar e eu entrei no hospital, gemendo e segurando as costas, andando que nem pata. Avisei o que estava sentindo (calma, não estava gritando nem nada, rs) e me mandaram direto para triagem enquanto meu irmão fazia minha ficha. Fizeram o cardiotoco, estava com contrações e Arthur estava bem, me admitiram e disseram que ia nascer mesmo! Foi quando liguei pro meu marido e dei a notícia e sei lá se ele veio de helicóptero, mas chegou muito rápido ao hospital, todo esbaforido, rs! Ele sempre me apoiou bastante na gravidez do Arthur, até mais do que deveria visto que eu estava mais chata que o normal na época... ele se preocupava com a gente e também acabou cedendo às chantagens do Dr. A., que vou contar agora.

Fui para a sala de pré-parto, já tinha avisado todos que encontrei no caminho que queria um parto normal e que não queria o tal sorinho, que me ofereceram diversas vezes. Fiquei numa cama, deitada, com uma TV ligada. Queria andar e sentar, mas toda hora vinha uma enfermeira me avisar que eu tinha que ficar deitada. Também pedia água e me avisavam que eu tinha que ficar sem comer e beber para evitar possíveis riscos com a anestesia. Eu avisava que havia acabado de jantar uma bela feijoada, mas não adiantava. Meu marido estava se trocando para vir ficar comigo e eu odiei ficar esses momentos sem ele... queria minha mãe também, mas tinha que optar por ele ou por ela, foi bem difícil fazer essa escolha... uma enfermeira veio e me fez um exame de toque, 2 dedos de dilatação. Eu nem sabia que podia pedir para não ficarem me fazendo toque, me fizeram alguns toques e eu sentia dor e chorava um pouco todas as vezes. Estava com uma vontade imensa de fazer cocô e ia ao banheiro toda hora. Sentada no vaso, com as pernas abertas, parecia que a dor diminuía um pouco. Ficava lá, sentada, eu na maior sintonia comigo mesma e de repente chegava uma enfermeira para me levar para cama, avisando que era arriscado ficar na privada, que o bebê podia nascer lá (aham, que nem novela, né). Dr. A. apareceu, tinha acabado de fazer a tal cesárea marcada. Me fez um novo toque, conversou um pouco comigo, eu já estava choramingando de dor e ele me disse "tem certeza que você vai querer sentir essa dor?". Respondi que sim. Ele disse que ia lá fora e que logo voltava. Meu marido chegou todo vestido com aquela roupa de hospital, ficou do meu lado, me fez carinho, mas ao mesmo tempo me perguntava se era aquilo mesmo que eu queria. Não tenho raiva dele por ele não ter me apoiado no parto normal porque ele estava tão desinformado quanto eu, além de ter crescido com a cabeça de que cesárea é bom, afinal ele mesmo nasceu de uma cesárea marcada.

Passado um tempo, Dr. A. voltou e me fez outro toque, 3 dedos... eu já estava chorando de dor e de frustração. Já tinha tentado ficar sentada na privada várias vezes e toda hora vinha uma enfermeira me levar pra cama, dizendo que "não pode, mãezinha, o nenê vai nascer na privada"... a sala de parto normal estava ocupada, o que me frustrava mais ainda, não queria ter nenê no centro cirúrgico... queria ter o Arthur naquela sala bonita com banheira e cromoterapia que conheci na visita ao hospital. Mais uma vez Dr. A. me disse que eu estava sentindo muita dor e me sugeriu uma cesárea, que neguei na hora. Fiquei lá, deitada, sem posição, com dor e Dr. A. voltou mais uma vez, dizendo que já que eu não faria a cesárea, que ele ia pra casa dele descansar e voltaria pela manhã. Comecei a chorar muito, mas muito mesmo nessa hora! Me deu um desespero imenso em pensar que talvez meu filho nascesse com o plantonista, me senti insegura, desprotegida, foi horrível... foi nessa hora que pedi pelo amor de Deus pela cesárea.

Mesmo morrendo de medo, fui para o centro cirúrgico, de novo sozinha. Na preparação meu marido não entrou, só depois que eu já estava pronta. Chorava e sentia medo da anestesia, do acesso, de tudo. Uma enfermeira muito calma veio procurar um acesso na minha mão. Chorei de medo, nunca pegaram veia na minha mão antes. Ela me acalmou e pegou o acesso, não senti nada. Em seguida a anestesista veio me dar peridural, morri de medo de novo porque sempre falaram que doía horrores para entrar a agulha na coluna. A enfermeira me acalmou de novo e tomei a anestesia. Não sei se foi a mão boa do anestesista ou se foi a adrenalina no meu corpo, mas não senti nada. Me deitaram, amarraram meu braço direito e colocaram o aparelho que afere a pressão. Também colocaram uma sonda para eu poder fazer xixi. Depois disso tudo meu marido entrou e eu chorei mais ainda quando o vi, estava fora de mim, me sentindo desprotegida, sei lá, estava pirando. Chorava de medo, chorava porque meu pai não estava na cidade (o parto adiantou umas semanas e ele estava viajando), chorava por tudo. Cismei que a anestesia não pegou, reclamava que ia sentir me cortar (tudo piração, meu marido disse que eles já estavam me cortando quando eu disse isso). Foi tudo muito rápido. O Dr. A. estava me abrindo e disse que o bebê era mesmo grande, que teria que cortar um pouco mais para ele passar (tanto que minha cicatriz é torta, pois o corte não foi único) e quando Arthur saiu, sua assistente disse que ele era um bebezão. Chorava muito, de emoção, de tudo. Ouvi seu chorinho e pouco depois trouxeram ele pra mim, todo enroladinho num pano e de touca. Estava muito feliz, mesmo com tudo que estava passando, encantada em ver meu filho fora de mim. Colocaram ele ao meu lado, tiraram uma foto e o levaram embora. Dr. A. perguntou se queria que meu marido ficasse comigo ou se ele podia acompanhar o bebê até o berçário, pedi pra ele ir com Arthur (gritei na verdade "vai lá agoooora, vai que trocam ele? rs). Fiquei lá deitada, Dr. A. finalizando o serviço, me dizendo que ia deixar minha cicatriz bem bonita para eu poder usar biquíni.

Quando deu meia noite e pouco, acabaram (acho que entre me preparar, abrir, tirar Arthur e fechar foi uma hora no máximo) e me mandaram para o pós operatório. Fiquei numa espécie de enfermaria, só tinha eu no lugar. Era uma fileira de camas, estava batendo os dentes de frio, a enfermeira me explicou que era por causa da anestesia. Comecei a dar uma pirada de novo, falar sozinha, a coçar o rosto feito louca. Próximo a mim tinha um balcão com algumas enfermeiras conversando e uma delas veio até mim perguntar se eu precisava de algo, porque eu estava falando sem parar. Pedi água e ela disse que só depois eu poderia tomar. Olha, vou te falar uma coisa. Fica parecendo um drama, parecendo que sofri horrores, que foi a morte pra mim fazer a cesárea. Eu faria numa boa, se fosse minha vontade. Eu nunca quis agendar um parto, sempre desejei entrar em trabalho de parto e acima de tudo, ter um parto normal. Nunca exigi nada humanizado, tirando a questão do soro com ocitocina. Nem cogitava um parto sem anestesia, nem questionava a episiotomia, achava até que era indispensável. Já vi mulher dizer que episio é vida, que a piriquita fica mais fechadinha depois (o tal ponto do marido). Então eu fiquei sim puta por ter feito uma cesárea sem nenhuma necessidade. Me senti feita de besta um tempo depois. Na época eu achei que tudo bem, que foi até necessária, afinal o doutor que aconselhou. Eu não ia duvidar do médico que me acompanhou, que sabia como estava minha saúde, que estudou pra isso, não é mesmo?

Um tempo depois me mandaram pro quarto, era lindo e limpo, tipo de hotel. Queria ver meu neném. Minhas grandes amigas de infância estavam no hospital e vieram no quarto me ver. Já estava bem da anestesia, conversamos, elas diziam que Arthur era lindo, gordinho, cabeludo, sabiam melhor que eu como meu filho era. Disseram que ele estava na caminha do berçário, naquele aquário que os hospitais tem, sabe? Elas foram embora e eu fiquei lá, esperando me trazerem meu filho. Liguei muitas vezes na enfermaria pedindo por ele e me diziam que em 15 minutos ele chegaria, me aconselharam a descansar. Ligava e diziam a mesma coisa sempre. Sete horas depois da cesárea me trouxeram o Arthur. Fiquei muito emocionada, nós dois no quarto finalmente a sós. Ele já estava vestidinho num macacão, com os cabelinhos ajeitados. Pegava nas suas mãozinhas, chorava de emoção, cheirava sua cabecinha e agradecia por estarmos os dois bem depois dessa aventura toda. Não conseguia desgrudar mais dele, tanto que em toda minha internação nem no bercinho do lado da cama ele dormiu, ficou comigo na minha cama, mesmo sob reclamações diárias das enfermeiras, que diziam que ele podia cair da cama (e elas não estavam erradas, mas eu estava num grude com ele que se desse acho que colocava ele de volta na barriga, rs).

Doze horas após a cirurgia eu fui tomar banho. Uma enfermeira me ajudou, tomei banho sentada para evitar desmaios. Não lembro exatamente quando, mas depois tiraram minha sonda (a sonda foi o que mais odiei nesse episódio todo). Fiquei com o acesso na mão para poder tomar os remédios pós-parto. A internação foi tranquila, evitei ao máximo que levassem Arthur do quarto, ele tomou as vacinas lá mesmo e fez o teste do pezinho. Soube que ele passou por todas as intervenções possíveis (o colírio deu uma conjuntivite química nele, inclusive). Me alimentava bem e a tristeza e o medo já tinham passado, estava feliz por Arthur ser perfeito e saudável, não ligava pra mais nada, era só um episódio ruim. Dias depois tive alta e pude ir pra casa. Arthur teve icterícia e me pediram para voltar uns dias depois para repetir o exame. Voltamos para repetir, deu tudo certo, ele já estava bem (nem sei se estava mal, hoje me questiono de tudo que pode ser feito por um hospital, penso que eles pedem e fazer procedimentos para poder cobrar do convênio depois, sei lá, me sinto vivendo numa máfia quando o assunto é saúde e convênio médico...).

Em casa estávamos bem, era um inverno de lascar e de cara nos entendemos, Arthur dormia comigo que nem um saguizinho, mamava muito, o tempo todo na verdade, rs. "Sobrevivemos" ao parto, eu com uma sacola de remédios para tomar, ele com conjuntivite pelo colírio, mas aquele medo, aquela tristeza passou por completo, só sentia alegria por ter o Arthur.

Continua na parte II